domingo, 14 de dezembro de 2008

Espaguete!

Como carioca que sou, pode parecer esquisito, mas adoro o inverno, o friozinho e a neve nessa época do ano. É uma mudança bem-vinda após o festival de cores do outono e deixa a gente com uma expectativa deliciosa em relação à primavera e às milhares de tulipas que vão pipocar pelos jardins da cidade daqui a quatro meses.

Mas, também adoro essa época porque é quando a gente começa a achar uma maravilha chamada Spaguetti Squash no supermercado. O squash é um parente da abóbora que você encontra por aqui no outono e no inverno. Mas, o Spaguetti Squash é um tipo interessante porque, ao contrário do squash tradicional, depois de assado (é possível cozinhar também no microondas, numa vasilha com água) desfia em tirinhas bem finas, lembrando um espaguete, daí o nome.

É sensacional, a textura é fantástica (tem um certo crunch, crunch, como dizem), o gosto é maravilhoso - caindo para o adocicado, então a gente tem que corrigir um pouco com sal e pimenta - e, o melhor: quase não é calórico (80 calorias por squash, mais ou menos) e é facílimo de fazer. A Anna sempre foi fã de squash tradicional e agora somos todos viciados em Spaguetti Squash, que não falta nunca na nossa geladeira.

Ah, já ia esquecendo: além de bom e bonito, o squash é barato - coisa de $ 3. Ou seja, prato perfeito para tempos de crise como o atual.

Aqui em casa a gente trata o Spaguetti Squash como espaguete mesmo e, em geral, o servimos com carne moída, um squash à bolonhesa - reinventando à perfeição (mas com muito menos calorias) o prato preferido da infância.

Se você quiser arriscar, funciona assim:

1. Parta o squash ao meio com uma faca de churrasco. A casca é bastante dura e pode ser que você tenha que tentar duas ou três vezes antes de conseguir cortá-lo


2. Tire todas as sementes e também a parte mais escura do interior do squash - me disseram que se não retirarmos, fica azedo. Preferi não arriscar. Coloque então o squash numa travessa e leve ao forno por mais ou menos 45 minutos, a uma temperatura de 350 graus



3. Retire o squash do forno e, usando um garfo, comece a retirar o miolo. A quantidade deve ser suficiente para encher a travessa. Tempere com sal e pimenta.



4. Se desejar, refogue o squash com cebola e alho. Uma alternativa é usar um bom molho de tomate, desses que já vêm com cebola e ervas. Eu, normalmente, tempero apenas com sal e pimenta, já que a carne moída já é bem temperada.

5. Acrescente carne moída e voilá! Aí está seu Spaguetti Squash.

Temporada de caça 2

No jornal da semana passada veio o seguinte encarte, de uma loja ce artigos esportivos.



Me chamou a atenção a parte de baixo do anúncio. Dê só uma olhada na sugestão de um clássico presente de Natal:



Em tempos de crise financeira, sei não... Presente de grego esse...

Temporada de caça

Tenho que admitir: ainda me choca o fato de as pessoas poderem comprar e ter armas de fogo em casa aqui nos EUA. Esse é um direito de todo cidadão americano, garantido pela segunda emenda à constituição do país, de 1791.

Na Pennsylvania, nem é preciso ter uma autorização do estado para comprar armas de cano curto ou longo. Também não é necessário fazer registro delas. Para mim, parece Terra de Marlboro, como a gente diz no Brasil. Mas, é coisa bem normal por aqui.


Para quem, como eu, já viu um cervo morto no porta-malas de um carro durante um engarrafamento, é difícil encarar tudo isso com naturalidade. Mais que tudo, me choca ainda o fato de termos uma temporada de caça aqui na Pennsylvania. Neste domingo, por exemplo, terminou o período de caça aos cervos, que durou duas semanas. Estima-se que 900 mil pessoas - entre elas, crianças a partir de 12 anos (como a menininha da foto abaixo) - tenham participado da chamada Buck Season. A Pennsylvania é a região que mais atrai caçadores de cervos no país. No ano passado, eles mataram 323.070 animais e, no ano anterior, 361.560. Tudo dentro da lei.

É preciso fazer um curso de dez horas sobre segurança no uso de armas para poder caçar. E também é necessário ser caçador registrado para participar da Buck Season. Muitos doam a carne dos animais para os Food Banks, que atendem à população pobre e outros pagam cerca de $ 70 para terem os cervos transformados em linguiças, filés, etc.

A caça é a resposta para o crescimento acelerado da população de cervos da região. Para alguns, eles são considerados inimigos número um da Pennsylvania. Não é raro nessa época a gente ver no noticiário local acidentes em que cervos fora de controle invadem as estradas, causando acidentes fatais.

Ok, eu entendo tudo isso. Mas há alternativas. Alguns estados, por exemplo, usam há mais de duas décadas um contraceptivo chamado PZP (Porcine Zona Pellucida) para controlar o número de cervos. Ja começaram a falar do assunto timidamente por aqui. Os cervos são identificados e recebem a vacina, que é eficaz por dois anos. Depois desse período, recebem uma nova dose, desta vez aplicada por uma daquelas armas que atiram dardos, o que pode ser feito a uma distância de quase 30 metros. É assim que fazem na África do Sul, com animais como elefantes, por exemplo.

Chinelo voador ou a sapatada no Bush

Quando eu era pequena, era uma peste. Não ficava quieta num canto, subia em cima dos móveis, aprontava mil e uma. Em resumo, era um capeta. Reza a lenda - e há dezenas de testemunhas para comprovar - que num desses dias em que eu estava pulando de móvel em móvel na casa de uns amigos da minha mãe, ela, mortificada e já sem saber o que fazer, me avisou:

"Se você não ficar quieta, o chinelo vai voar"

E eu, terrível, não ia engolir essa em seco:

"Mas chinelo não voa", argumentei.

Ato contínuo, o tal do chinelo veio num rasante em minha direção. Pegou de raspão na perna, mas foi o suficiente para me manter quieta o resto da noite. Eu sei, eu sei, psicologia infantil zero, né? Mas na década de 80, não sei se tinha muito disso. Hoje, aqui nos EUA, era capaz de dar cadeia: child abuse. A favor da minha mãe, tenho que dizer eu não me aguentaria como filha. Eu era impossível.

Você deve estar se perguntando a essa altura: mas qual é a da história do chinelo voador? Bem, não pude deixar de lembrar dela ao ler que um jornalista arremessou um par de sapatos na direção do presidente Bush durante uma coletiva em Bagdá.

Veja o vídeo aqui:



Antes de atirar o primeiro pé de sapato, o repórter gritou: "Esse é um beijo de adeus, cachorro". Segundo a Bloomberg, na cultura árabe, a sola do sapato é um tipo de insulto.

Bush conseguiu desviar dos dois sapatos e depois ainda tentou tranquilizar os outros repórteres:

"Eu estou bem. Isso não me importa. (...) Era um sapato tamanho 42"

Hein? Qual é a do sapato 42?
Impressionante como o tempo passa, o tempo voa e o Bush continua não fazendo o menor sentido.

O que me lembra, claro, do quadro Grandes Momentos nos Discurssos Presidenciais do programa do David Letterman. Aqui uma palhinha:



Alguns momentos imperdíveis, no entanto, escaparam. Achei boa parte aqui:

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Don Juan literário

Só dá ele. Nas últimas duas semanas, ficou difícil trocar de canal ou mesmo acessar a internet ouvir falar do livro How to talk to girls, do expert Alec Greven. Mas, qual é a graça em mais um manual de auto-ajuda? Bem, este foi escrito por um moleque de 8 anos! Isso mesmo, 8 anos. Um ano mais velho, o petiz de Colorado conta agora que o livro era parte de um projeto escolar e que o texto foi escrito com base na sua experiência observando as coleguinhas e sua interação com outros meninos no pátio do colégio. "Sou novo demais para meninas", ele tem dito.



O livro de 48 páginas, publicado pela HarperCollins em capa dura, já está à venda na Amazon.com por $ 9.99: http://www.amazon.com/How-Talk-Girls-Alec-Greven/dp/0061709999/ref=pd_bbs_sr_1?ie=UTF8&s=books&qid=1228851699&sr=8-1
Para Alec, o céu parece ser o limite. O livro está prestes a ganhar uma edição australiana em fevereiro e teve os direitos de adaptação comprados pela Fox Filmes. Ah, e ele já prepara mais três livros: Como falar com mães, Como falar com pais e Como falar com o Papai Noel. Fofo, né não?
Ah, sabe o adiantamento que ele recebeu da editora pela publicação? Ele doou parte do dinheiro para uma organização que levanta fundos para pesquisas sobre câncer. Bacana.

Quer saber os conselhos do guru-mirim?
"Às vezes, você consegue que uma menina goste de você, mas aí ela te dá um pé. Bem, a vida é mesmo dura então, toque a vida"
"Não ache que garotas são nojentas. São só meninas, o que pode haver de errado com elas?"
E ele tem até pesquisas validando seu trabalho: "Cerca de 73% (vem cá, o que são cerca de 73%? 72,5%? 70%?) das meninas comuns dão um pé nos meninos; 98% das meninas bonitas dão um pé nos meninos"
"O que quer que aconteça, não pareça desesperado. Garotas não gostam de garotos desesperados"

Veja aqui a última entrevista do petiz na Ellen DeGeneres(onde ele já é habituée), no início do mês:



Foi depois de aparecer num programa da Ellen que ele conseguiu uma editora para publicar seu livro. A entrevista original está aqui



E se você acha que a história dele estar em toda parte, em milhões de canais, é exagero, olhe só por onde ele tem andado nos últimos meses:
CBS - http://www.youtube.com/watch?v=M3uGvXpjwk4
MSNBC - http://www.youtube.com/watch?v=-JI-LBkGBaI
CNN - http://www.youtube.com/watch?v=jRInsGsxdzY
NewYorkPost.com - http://www.youtube.com/watch?v=BsBzMj9WI9s
Borders.com (essa é hilária; ele dá os conselhos todo sério) - http://www.youtube.com/watch?v=yzouzhXSRzY

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Outono

O outono passou voando, com suas cores arrebatadoras e dias num misto de calor e frio. Para quem viveu toda a vida no Rio, onde a gente só conhece verão e variações sobre o mesmo tema, é uma delícia ver a mudança de estações acontecer diante dos seus olhos.
Dá para namorar a vista por horas a fio - isto é, até a pequena puxar a barra da minha saia, me trazendo de volta à realidade.

Aqui vão algumas das cenas que eu vi nas últimas semanas, antes que o inverno chegasse, junto com os primeiros dias de neve. Mal chegou, o outono já foi e deixou saudade no peito dessa carioca.

Na nossa passagem semanal por Mt. Lebanon, a caminho do baby gym da dona miudinha, a estrada ia ficando pontilhada de árvores vermelhas, amarelas e também de um verde esmaecido - todas lindas. Árvores como a que abre esse post.

Aqui do lado de casa, em Oakland, no Schenley Park, que abraça as universidades de Pittsburgh e Carnegie Mellon, as cores eram ainda mais lindas:



Essa foto foi tirada a caminho de um dos campos de golfe do Schenley Park. Adoro o contraste do asfalto com os diferentes tons das folhagens...

A boa filha à casa torna

Eu sei, eu sei. Lá se vão bem uns quatro meses desde a última vez em que dei as caras por aqui. Mas, com a hérnia perturbando de novo, as enxaquecas batendo ponto, uma viagem para o Brasil e um bebê que está a um passo (literalmente!) de começar a andar, tenho andado com as mãos ocupadas...

Uma eleição e uma crise financeira - ambas históricas - depois, estou de volta.

Espero ter mais tempo para alimentar o blog e contar as novidades por essas paragens.

Bem-vindos a bordo.