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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

A maldição da Terrible Towel



Aqui em Pittsburgh, os Steelers são quase uma religião. E a chamada Terrible Towel (uma "terrível" toalha amarela que é o símbolo do time e do amor dos torcedores pelos Steelers) é venerada e respeitada por todos, inclusive por outros times da NFL. Para muitos, é como se fosse a bandeira dos Steelers.

Pois bem. Ontem, durante um evento de apoio aos Cardinals, Phil Gordon, prefeito de Phoenix, Arizona, assoou o nariz na Terrible Towel e ainda jogou-a no chão, no que foi entendido por essas bandas como um profundo sinal de desrespeito ao time local. No mesmo evento, o mascote dos Cardinals, chamado Big Red, usou a toalha para limpar os sovacos. O público gritava ao prefeito: "Queime-a, queime-a!"

Aqui você vê o vídeo na matéria do canal WPXI: http://www.wpxi.com/video/18580458/

O vídeo na íntegra está aqui (em qualidade):



Hoje, o prefeito veio a público se desculpar pelo ocorrido. Ele disse que não pretendia, de forma alguma, ofender os Steelers, seus fãs ou suas tradições. Tá.

Estou aqui achando com os meus botões que ele está é com medo da famosa maldição da Terrible Towel, como bem lembrou a matéria da WPXI. Que o digam times como Bears (Cleveland), Titans (Tennessee), Bengals (Cincinnati) e, mais recentemente, Ravens (Baltimore).

No dia 21 de dezembro do ano passado, após vencerem os Steelers por 31 a 14, quatro jogadores dos Titans - Keith Bulluck, Jevon Kearse, Bo Scaife e LenDale White - pegaram algumas Terrible Towels, as jogaram no chão e depois pisaram nelas. Depois disso, os Titans não ganharam mais nenhum jogo.

Aqui, a cena:



Em meados de janeiro, como eu mostrei num post mais antigo, os Ravens e o jornal Baltimore Sun detonaram os Steelers e Pittsburgh - do sotaque às atrações turísticas, passando pela culinária local. Para completar, alguns fãs dos Ravens queimaram uma Terrible Towel.



Pois bem. Os Steelers venceram os Ravens por 23 a 14 na final do campeonato da AFC (The American Football Conference, parte integrante da Liga Nacional de Futebol, NFL na sigla em inglês). Com isso, garantiram presença no Super Bowl, a final da NFL.

E a maldição não é de hoje. Em 2005, o jogador T.J. Houshmandzadeh, dos Bengals, de Cincinnati, limpou os pés numa Terrible Towel depois de marcar um touchdown (que é quando um time leva a bola de futebol para o fim do campo do time oposto). Depois disso os Bengals não marcaram mais ponto e os Steelers ainda ganharam de lavada, por 31 a 17.

Em 1994, Earnest Byner, um dos jogadores dos Bears, de Cleveland, pisou em uma Terrible Towel e ameaçou os Steelers. Disse que pouco se importava com a famosa toalha e garantiu que iria derrotá-los no confronto. O resultado? Os Steelers ganharam de 29 a 9.

A conferir o destino dos Cardinals no domingão do Super Bowl.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Go Steelers!!!



Eles falaram mal, tripudiaram e humilharam. De nada adiantou. Os Pittsburgh Steelers jogaram os Ravens para escanteio e ganharam hoje à noite o campeonato da AFC (The American Football Conference, parte integrante da Liga Nacional de Futebol, NFL na sigla em inglês). Os Steelers ganharam do time de Baltimore por 23-14, garantindo, assim, passagem para seu sétimo Super Bowl - um recorde na AFC. Se os ventos soprarem a favor, os Stellers podem ser o primeiro time na história do Super Bowl a conquistar seis vitórias.

Foi a terceira vez que os Ravens perderam para os Steelers nesta temporada. Agora o time amarelo e preto vai enfrentar os Arizona Cardinals (que venceram hoje o Eagles da Filadélfia por 32-25) em Tampa, na Flórida, no dia 1° de Fevereiro. É a primeira vez que os Cardinals participarão do Super Bowl.

Após morar em Pittsburgh, não tem jeito: você acaba se apaixonando pelos Steelers e sendo contagiado pela paixão que os pittsburghers têm pelo time. Go Steelers!

sábado, 17 de janeiro de 2009

Prefeito louco (por futebol) ou, como diria Shakespeare: What's in a name?



A paixão dos brasileiros por futebol encontra eco aqui em Pittsburgh, na relação que os pittsburghers têm com seu time local, os Steelers. Aqui é a Steelers Nation, como dizem. As cores do time - preto e amarelo - estão por toda parte, do óbvio (camisas, jaquetas, bonés, luvas, bandeiras) ao não tão óbvio assim (capa de assento de carro, carrinho de bebê, cobertores, cadeiras, sofás, luminárias).

Essa estreita relação com o time de futebol americano atingiu novo patamar nesta quarta-feira, quando o prefeito da cidade, Luke Ravenstahl, convocou uma coletiva no Departamento de Registros da região. O evento era para anunciar sua mudança de nome para Steelerstahl.

O motivo? No domingo os Steelers enfrentam os Ravens, de Baltimore, num confronto digno de um autêntico Fla-Flu.



"Em nome da Steelers Nation, eu decidi eliminar a palavra Ravens do meu nome, assim como os Steelers irão eliminar os Ravens do Campeonato da AFC (The American Football Conference, parte integrante da Liga Nacional de Futebol, NFL na sigla em inglês)", disse o prefeito, de 28 anos. Em 2006, aos 26 anos, ele se tornou a pessoa mais jovem a assumir a prefeitura de uma grande cidade americana.

Na segunda, volta tudo a ser como antes e o prefeito retoma o Ravenstahl original.

A idéia da mudança de nome não foi do prefeito, mas dos apresentadores JR Randall e Kate da rádio local Star 100.7 FM. Eles ligaram para o gabinete do prefeito sugerindo que ele fizesse a alteração, num sinal de apoio aos Steelers.

Alguém aí imagina o Eduardo Paes assinando Eduardo Flamengo?



Para entender os caminhos que levaram o prefeito à mudança, é preciso um olhar cuidadoso à rixa (mais do lado de lá do que do de cá) dos Ravens com os Steelers. A disputa se intensificou esta semana, quando o Baltimore Sun publicou uma nota na seção de esportes detonando o sotaque dos pittsburghers (o chamado pittsburghese).

Na nota Pittsburghese: outra razão para odiar os "Stillers", Kevin Cowherd escreve: "Você acha que o sotaque característico de Baltimore dói aos ouvidos? Ok, dói. Mas parece a língua de Shakespeare se comparado com o Pittsburghese, o sofrível dialeto da Cidade do Aço". Após dar alguns exemplos da fala local, ele arremata: "De que universo eles vieram?"

Aqui, na íntegra:
http://www.baltimoresun.com/sports/other/bal-sp.cowherd14jan14,0,7635691.story

Um dia antes, o mesmo Baltimore Sun havia publicado uma matéria criticando de maneira nada elegante a comida local. Leia aqui (http://www.baltimoresun.com/sports/football/bal-sp.cowherd13jan13,0,510748.story)

Na mesma semana, também publicou nota sobre as atrações turísticas de Pittsburgh, outro motivo para odiar a cidade: http://www.baltimoresun.com/sports/football/bal-sp.cowherd15jan15,0,1428256.story

E, o jornal parece alimentar a disputa. No seu site há até um link chamado Por que os fãs dos Ravens odeiam Pittsburgh:
http://www.baltimoresun.com/sports/football/bal-whytohatepittsburgh,0,1900014.storygallery

Dá para imaginar, com todo o bairrismo que cerca a relação Rio-São Paulo, jornais como Folha de São Paulo ou O Globo fazendo tamanho papelão?