sábado, 17 de janeiro de 2009

- 21°C à sombra

Após pouco mais de três semanas no Rio, é bom voltar para casa. O corpo é que demora um pouco para se ajustar às mudanças de temperatura... Não é fácil sair da casa dos 30 graus à sombra e enfrentar o frio congelante de Pittsburgh neste inverno. Mesmo para quem odeia calor, como eu.



Hoje de madrugada os termômetros do Weather Channel acusavam: - 5° Fahrenheit. Em "bom português", - 21°C. Há 15 anos que a temperatura não caía tanto aqui em Pittsburgh. A última vez em que ficamos abaixo de zero Fahrenheit (-17.7°C) foi em fevereiro de 2007. Com o frio congelante chegando mais cedo, é de se esperar que este seja um dos invernos mais rigorosos dos últimos anos.

Os pittsburghers adoram reclamar do frio. É mais fácil ver um local amaldiçoar os céus do que um estrangeiro. Talvez, porque eles pintam o diabo mais feio do que ele é: a fama do inverno de Pittsburgh é definitivamente muito pior do que a realidade. Para se ter uma idéia, até agora estamos contando apenas com a calefação - ainda não ligamos os aquecedores.

A despeito das reclamações locais há lugares bem mais gelados na "vizinhança", como Minneapolis e Chicago, onde as pessoas não praguejam tanto contra o frio. Se bem que, só para me contrariar, os dois estão registrando temperaturas mais amenas hoje: - 11°C e - 12 °C.



A nossa rua ficou coberta de branco, com a neve fofa afundando sob os nossos pés. Para quem viveu a vida toda sob o calor dos trópicos, ainda é fascinante ver carros, casas e árvores salpicados de branco. Não consegui resistir e fui até a varanda tirar algumas fotos. Quando vi, já tinha atravessado a rua para registrar nossa casa sob a neve.



A verdade é que, com a roupa de inverno adequada, o frio não é tão insuportável assim, mesmo para quem nasceu e foi criado no Rio. Você se acostuma, até porque tem calefação em tudo que é canto e você acaba passando pouco tempo ao ar livre.

A chave é vestir-se em camadas, como dizem por aqui. Aprendi rapidinho a lição. Quando saio, uso sempre duas calças: uma jeans, com outra de lã por baixo. São também duas blusas: uma de manga curta e outra de manga longa, fora o casaco de lã e o casaco de neve. Mas, depois de um ano e meio aqui, já estou ficando abusada: saí hoje sem o casaco de neve. Só não dá para esquecer das luvas. Se as mãos congelam, acabou a brincadeira: o frio se espalha rapidamente pelo resto do corpo.

Nisso tudo, a pele é que acaba sentindo mais. A boca fica queimada de frio e o corpo todo, ressecado. Fora isso, é vida que segue.

E o bom e velho Weather Channel já avisa que, amanhã, o tempo promete dar uma "esquentadinha": a máxima vai ser de - 5°C à sombra...

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Temporada de caça 3



Depois dos cervos, os gansos foram a bola da vez em Pittsburgh. Numa caça com hora marcada - foram seis horas monitoradas por policiais - 20 atiradores partiram com tudo para cima de 80 gansos num parque do condado de Beaver, aqui perto.

Estava lendo, em matéria do Pittsburgh Post-Gazette (http://post-gazette.com/pg/08358/936989-57.stm), que as autoridades classificaram a caça como ética pois os atiradores deveriam esperar que os gansos deixasse o lago e voassem para só então atirar. Ok.

A temporada de caça aos gansos foi motivada pelas fezes dos animais, encontradas em playgrounds, áreas de pesca e abrigos, o que pode ter contribuído um surto de E. Coli. A bactéria está por trás de doenças como infecção alimentar ou urinária, apendicite e meningite.

Muita gente na região tem reclamado da caça aos gansos como solução para o problema. Entre as alternativas sugeridas estão destruir os ovos dos animais ou deixar a grama crescer em volta dos lagos (onde eles ficam a maior parte do tempo), tornando o ambiente menos propício à proliferação dos gansos.

A caça voltará a acontecer amanhã, dia 31 e nos dias 2 e 3 de janeiro.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

É grave a crise: apertem os cintos, o auxílio-desemprego sumiu!


Quando a gente pensa que a crise econômica já levou sociedades e mercados ao fundo do poço, lá vem a danada mostrar a que veio. E provar que não está de brincadeira.

As demissões em massa estão levando o Fundo de Compensação por Desemprego (UC Fund) - que dá ajuda financeira a quem foi demitido, garantindo, assim, o pagamento de hipotecas, do aluguel e mesmo do carrinho de supermercado nosso de cada dia - a direcionar recursos num ritmo mais rápido do que o esperado em boa parte do país.

Apenas aqui na Pennsylvania foram gastos quase $ 3 bilhões este ano. Com isso, o orçamento para o ano que vem ficou limitado a $ 1 bilhão. Segundo o Departamento de Trabalho e Indústria da região, a quantia é suficiente para bancar os benefícios por um período que vai de quatro a, no máximo, seis meses. Quer dizer, pode ser que, já em abril, a torneira tenha secado, deixando a população a ver navios.

Resumo da ópera: com as demissões em alta, o fundo, criado em 1935 com o objetivo de ajudar a estabilizar a economia em períodos de recessão, corre o risco de quebrar não apenas aqui, mas em outros 29 estados americanos que estão em situação semelhante - entre eles, nosso vizinho, Ohio. Hoje, 4.4 milhões recebem esse tipo de auxílio-desemprego.

Os recursos do fundo vêm do pagamento de taxas e impostos por empregados e empregadores. A questão agora é: será que, numa economia já combalida, será que o aperto de cinto do UC Fund pode resultar num aumento de impostos?

Vale lembrar que o número de trabalhadores pedindo auxílio-desemprego atingiu, na semana passada, o maior nível em 26 anos: avançou 58 mil, para 573 mil.

Ah, antes que me esqueça: a foto acima é de uma fila de desempregados, como você deve ter adivinhado. O papel rosa que eles empunham é uma alusão ao pink slip, o aviso de demissão cor-de-rosa que o trabahador recebe junto com seu contra-cheque quando ele perde o emprego aqui nos EUA.

Em terra de árabe, quem dá sapatada é rei


Enquanto isso, em Bagdá, milhares de pessoas foram às ruas pedir a libertação do repórter que tentou dar duas sapatadas no Bush. Ele está sendo tratado como herói nacional. Tem gente aqui dizendo que até demorou para alguém brincar de tiro ao alvo com o Bush...

Papai Noel gostosão


Coisas estranhas acontecem aqui nos Estados Unidos no Natal. Acabei de ver na TV que um shopping em Los Angeles - onde mais? - resolveu inovar e repaginou o bom e velho Papai Noel. No lugar do bom velhinho, os clientes encontram o Hunky Santa (algo como Papai Noel Gostosão).

Todas as sextas, sábados e domingos, o Papai Noel Gostosão e as Candy Cane Girls (candy canes são aqueles doces em forma de bengalinhas brancas e vermelhas que são super tradicionais nessa época do ano) se apresentam, cantando e dançando pelo shopping de Beverly Hills, para alegria das mamães siliconadas e botocadas. Vi na TV que tem fila para mãe sentar no colo do Papai Noel Gostosão, pode?!

Durante a semana, no entanto, o bom e roliço velhinho bate ponto, para não decepcionar os bons meninos e meninas.

Dei uma fuçada no You Tube e acabei achando esse vídeo do Hunky Santa em ação:
http://www.youtube.com/watch?v=oBQnR3vUPi0

domingo, 14 de dezembro de 2008

Gatos 2

Nora já tem até sequência no You Tube.
Estou apaixonada.



Diz a dona que ela não ensinou a gata a tocar, que ela é quem sempre gostou de brincar no piano. Será?

Como todo gênio, é incompreendida. Vi na TV - pois é, Nora agora aparece em rede nacional - que a dona dela tem outros tantos gatos em casa, mas eles não se dão com a Nora e ainda a hostilizam, coitada.

Gatos

Quem tem gatos sabe como é fácil a gente se apaixonar pelos bichanos e também como a inteligência e os truques deles sempre nos surpreendem. Mas essa eu nunca tinha visto: gato tocando piano. Com vocês, Nora.